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Seremos Felizes
 

Era tudo verdade

E não é que era?...

P. S. - Salve Magritte!



Escrito por Filipe às 20h46
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O pulso ainda pulsa

Hmmmmm...



Escrito por Filipe às 22h11
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É hoje!

Há exatamente um ano, nascia uma das mais retumbantes criações literárias da blogosfera: a série de historietas da dupla “O contínuo e a secretária”, publicadas no blog-dindo Mascavinhas, atualmente em fase de hibernação.

Em diálogos enxutos – verdadeiros hai-kais –, permeados pelo humor finíssimo e ácido de seu criador, o contínuo e a secretária aprontam. Com eles, é possível lembrar de Kafka, Beckett, Nelson Rodrigues, Aldir Blanc e muitos outros craques. Ou seria o contrário?

Foram, até agora, 39 historinhas – de 13 de agosto de 2004 até 5 de maio deste ano, quando foi publicada a última.

Após consulta a seu Departamento de Fac-Símiles e Direitos Autorais, que lavou as mãos, a Seven Strings Inc. relembra aqui a primeiríssima da série:

13.7.04

 

Abrindo a série “O contínuo e a secretária”

Ela: Cadê o troco de 20 centavos daquele dinheiro que te dei para você comprar envelopes?
Ele: Ahn... O env... É que...
Ela (ares de inspetora): Você não foi comprar bala, né?
Ele (olhos arregalados): ...?
Ela: Ah! Você foi comprar bala!!! Foi isso!!!
Ele: Olha... Na verd...
Ela (procurando cumplicidade numa colega): Bala com dinheiro público!!!

# postado por Mascavinhas às 06:21



Escrito por Filipe às 10h22
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Saudades

Do plantão do Globo Online:

Morre tia Eulália, fundadora e símbolo do Império Serrano

RIO - Morreu neste domingo, de insuficiência respiratória, aos 96 anos, Eulália de Oliveira Nascimento, a tia Eulália, uma das fundadoras da escola de samba Império Serrano. Ela estava internada no PAM de Irajá desde sexta-feira passada.

Integrante da Prazer da Serrinha, que deu origem ao Império (nascido no quintal da casa da sambista, em 1947), tia Eulália foi responsável pela confecção da primeira bandeira da escola. Dois de seus irmãos (João de Oliveira, o João Gradim, e Sebastião de Oliveira, o Sebastião Molequinho) foram presidentes do Império Serrano.

O sepultamento da sambista está marcado para 16h desta segunda-feira, no Cemitério de Irajá. Ela deixa dois filhos e muitos netos.

(Foto: tia Eulália e sua bisneta Pâmela, em matéria do JB Online de 2001.)



Escrito por Filipe às 23h23
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O mundo é bom (VII)

Descobri um sítio francês de gastronomia, receitas e cozinha “familiar”. É o sensacional Supertoinette. Destaque para as receitas, fotografadas e explicadas passo e passo, para o fórum de discussão, movimentadíssimo, e para as páginas ilustradas que descrevem ingredientes em minúcias. Simples, rico e inteligente.

 

Pelo menos eles publicam as calorias de todas as receitas e ingredientes básicos. Engorda-se com consciência.

 

Ah, a foto acima é de Antoinette, a vovó super-heroína que inventou e mantém o sítio.



Escrito por Filipe às 19h45
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Mar de lama em Brasília e adjacências

Para entender melhor estes tempos tijucanos (explico: em tupi, tijuca quer dizer “lama, brejo, líquido podre, atoleiro”), vale reler O Príncipe, pequeno clássico escrito em 1513 pelo filósofo político florentino Niccolò Machiavelli.

Maquiavel – como ficou conhecido por nós, lusófonos – é associado à máxima “os fins justificam os meios”. Ele descreve em O Príncipe, de maneira corajosa e crua, a lógica do poder. E chega à conclusão de que um governante deve preferir ser temido a ser amado, embora deva sempre evitar ser odiado.

Mas a obra-prima de Maquiavel faz lembrar também outro clássico, em contraponto: o Emílio de Jean-Jacques Rousseau, publicado em 1762. Romance de cunho pedagógico, o texto fornece subsídios para a educação de uma criança, partindo da crença na bondade inata do ser humano, que, entretanto, tenderia a ser corrompida pela sociedade.

Faz sentido. O iluminista suíço também era músico.



Escrito por Filipe às 09h24
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Falta huma semanna!

Romeu e Julieta. Tristão e Isolda. Eco e Narciso. Tarcísio e Glória. Eros e Thanatos. Brasil e Argentina. Sartre e Simone. O gordo e o magro. Dali e Gala. Batman e Robin. Yin e yang. Cosme e Damião. Café e leite. Bombordo e estibordo. Fish'n'chips. Alho e óleo. O funcionário e a bailarina. A corda e a caçamba. O fino e o úgrico. Lennon e MacCartney. João e Maria. Arroz e feijão. Apocalípticos e integrados. Pixinguinha e Funarte. Os dois bicudos.

Preparem seus corações. Na próxima quarta-feira, dia 13 de julho, o Seremos Felizes estará comemorando com a devida pompa e circunstância o primeiro aniversário de uma das mais importantes criações literárias da blogosfera, infelizmente descontinuada há exatos 69 dias. Já sabem do que se trata, não?

Pois é, blogs co-irmãos! Conto com vocês para festejar a ephemméride!



Escrito por Filipe às 16h25
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Hoaxzinho gracioso

Adaptado de alhures na rede:

Muito cuidado ao parar nos sinais onde ficam aqueles malabaristas que engolem fogo.

Enquanto o motorista está assistindo ao show, um outro malabarista vem por trás do carro e arremessa um coquetel molotov no capô. Com o carro em chamas,o motorista sai correndo desesperado, e nesse momento vem um terceiro malabarista que joga um chimpanzé adestrado dentro do seu carro, vestido com uma roupa anti-chamas desenvolvida pela NASA para a Guerra do Golfo e alimentado com damascos gigantes da Nova Guiné. Esse macaquinho rouba o som e o que mais tiver dentro do automóvel. Depois disso, dois falcões peruanos de caça ficam dando rasante sobre a cabeça do motorista, distraindo sua atenção. Nisso, aparecem ursos panda num patinete motorizado verde musgo, da marca Yamaha, e todos fogem cantando "Poeira", da Ivete Sangalo, rumo a outro sinal.

Aconteceu com o primo do cunhado da irmã da tia de um cara que a namorada do primo de um amigo meu conheceu um dia na fila do cachorro-quente do cinema.

E o próximo pode ser você.



Escrito por Filipe às 13h22
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Gospel engole?

Dica do indeletável guru Paulo Neves lá na Tribuna Livre de sua Agenda do Samba & Choro, este link aqui conduz a um fórum de discussão evangélico que lança a pergunta: “ouvir músicas do mundo é pecado?”

Im-pres-si-o-nan-te.



Escrito por Filipe às 02h56
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Saideira

Morreu no último dia 15, aos 89 anos, o português José Carranca Redondo, conhecido como “senhor Licor Beirão”. Homem empreendedor, Redondo era proprietário da fábrica do licor mais conhecido em Portugal. Não morreu de velhice, mas de um acidente de carro, conforme conta a matéria do Correio da Manhã. Vale ler sua história, tão saborosa quanto o licor.



Escrito por Filipe às 02h46
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Camões de verdade

Depois que publiquei a paródia de Juó Bananere, fiquei lembrando do inigualável parodiado. Então, em homenagem à Dantes e às mudanças que se operam nestes tempos juninos, vai aqui outro lapidar soneto de Camões, desta vez sem subterfúgios:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.



Escrito por Filipe às 12h03
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Dantes na Cinelândia

Hoje é dia de São Pedro, o santo pescador, patrono da igreja e guardião das chaves celestiais.

E é hoje que, a partir das 19 horas, a Livraria Dantes - o sebo mais charmoso do Rio de Janeiro - inaugura seu novo espaço, no andar de cima do cinema Odeon, na Cinelândia.

Depois de terem passado dez pródigos anos na Dias Ferreira, no Leblon (bem pertinho da sede principal da Seven Strings Inc., aliás), a intrépida Anna e o retumbante Flamínio tiveram que mudar a livraria de endereço. Com a valorização da Dias Ferreira – em parte pelo próprio brilho da Dantes, ao lado do Ateliê Culinário, do Esch Café, do do Hortifruti, do Sushi Leblon, do Celeiro, da Letras e Expressões - o preço do aluguel disparou e foi reajustado muito acima do que um sebo podia honrar. Há um mês e meio ocupa o mesmo endereço a loja da badalada estilista Isabela Capeto, com suas roupas lindas e carérrimas. Ah, o capitalismo.

Mas vale prestigiar a inauguração da nova Dantes. Estive ontem bisbilhotando: o espaço, não muito grande (eles vão manter um “gabinete de raridades” junto ao escritório da livraria e editora, no segundo andar do prédio do Odeon, mas será preciso marcar hora), é simpatissíssimo. E, como é dia 29, vão servir um nhoque da fortuna que prometem ser premiado com livros, em meio a leituras, música e vinho. Fácil, só chegar na entrada principal do cinema, ao lado da bilheteria, e subir as escadas do lado direito.

Que São Pedro (ou Xangô Airá, com quem é sincretizado no candomblé kêtu) proteja a nova casa!

Hmmmm. Pelo jeito, vou acabar indo à Cinelândia mais amiúde.



Escrito por Filipe às 02h07
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Pá nela

Ainda de Bananere, uma de suas quadrinhas avulsas:

Lá vê a lua surgino
Uguali c’oa pomarolla;
Si vucê non gazá cumigo,
Ti batto c’oa gaçarola.



Escrito por Filipe às 10h06
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Ma che bellezza!

Presente de meu chapa Fábio Liberal num dos aniversários comemorados na Tia Elza, no Horto, junto com o indeletável Paulo (o da Chris), a edição fac-símile de La Divina Increnca, de Juó Bananere, é um barato. Lembrei agora, ao dar uma geral na estante 57-B aqui da firma.

Juó Bananere, saberão os leitores, foi pseudônimo do engenheiro paulista Alexandre Marcondes Machado (1892-1933), humorista e cronista nas horas vagas. Décadas antes de João Rubinato – ou melhor, Adoniran Barbosa –, outro que se apropriou com humor do falar arrevesado dos imigrantes italianos em São Paulo, Bananere/Machado alcançou bastante sucesso logo na primeira edição de La Divina Increnca, publicada em 1915 – a mesma que foi republicada em 2001 pela Editora 34, com textos introdutórios de Otto Maria Carpeaux e Antônio de Alcântara Machado.

Diretamente da página 28:

Sunetto Crassico

Sette anno di pastore, Giacó servia Labó,
Padre da Raffaela, serena bella,
Ma non servia o pai, che illo non era troxa nó!
Servia a Raffaela p’ra si gazá c’oella.

I os dia, na esperanza di um dia só,
Apassava spiano na gianella;
Ma o páio, fugino da gombinaçó,
Deu a Lia inveiz da Raffaela.

Quando Giacó adiscobri o ingano,
E che tigna gaido na sparrella,
Ficô c’um brutto d’um garó di arara

I incominció di servi otres sette anno
Dizeno: Si o Labó non fossi o pai della
Io pigava elli i li quibrava a gara.



Escrito por Filipe às 09h52
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Samba, esse... gentleman?

Pensando aqui com meus botões e mouses sobre as diferentes possibilidades de roupagem instrumental aplicadas ao samba, fui reler um pequeno texto que citei em minha tese de doutorado (hoje em dia só lembro de meu título quando chega o cara do Vaga Certa: “aí tá bom, doutor!”).

Trata-se de uma pensata publicada no Boletim da Rádio Nacional de novembro de 1943, que pincei do livro Rádio Nacional – o Brasil em sintonia, do mais-velho Luiz Carlos Saroldi e de Sonia Virginia Moreira (Rio de Janeiro: Funarte/INM, 1984; pp. 49-50). Primor de eurocentrismo e outros centrismos mais, vale pela provocação:

O samba vestia-se pelo figurino humilde dos regionais simplórios – flauta e cavaquinho e violão – das serestas e dos bairros pacíficos, ou pelo porte das escolas – coro, tamborins, pandeiros e cuícas.

Ary Barroso começou a vestir o samba. Tirou-o das esquinas e dos terreiros para levá-lo ao Municipal. Ary Barroso vestiu a primeira casaca no samba. O samba ganhou o smoking da orquestra.

Radamés Gnattali deu uma orquestra ao samba, a Orquestra Brasileira. Nunca o samba chegara a sonhar com uma orquestra assim. E tratado pela cultura e bom gosto de Radamés, o samba começou a viajar pelo mundo afora, através das ondas curtas da Rádio Nacional.

Agora o samba já possui o seu lugar definitivo entre as músicas populares dos povos civilizados, digno e elegante representante do espírito musical de nossa gente, indo visitar, pelas emissoras de ondas curtas da Rádio Nacional, os lares do mundo inteiro, entrando neles de casaca e de cartola, gentleman, rapaz de tratamento.



Escrito por Filipe às 13h24
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